Convergência audiovisual

Ctrl-V, o documentário, talvez seja a parte mais importante a pesquisa-ação sobre os efeitos, dimensões e novas possibilidades da indústria audiovisual. Justamente por agregar todas as suas faces do audiovisual, tanto de conteúdo quanto de forma. Pensado para nascer e crescer dentro do ambiente da convergência digital, ele traz elementos de linguagem que não se restrigem a um produto linear a ser apresentado numa sala escura, embora também abrigue essa possibilidade.

A lógica do Ctrl-V é de rede. Ele não existe sem o diálogo com blog, Facebook, Twitter, Vimeo e Youtube, elementos cada vez mais explorados pela grande indústria cinematográfica e também por produtores independentes e autônomos. A distância entre um realizador de cinema de Hollywood e um aspirante a cineasta que domina as linguagens da web nunca foi tão próxima como nos dias de hoje. E jamais será novamente. A intenção do documentário é navegar nessa zona autônoma temporária.

Ctrl-V, que nasceu com o nome Te Están Grabando, veio como uma convergência desses processos: o político, o conceitual e o de linguagem cinematográfica aplicada às novas mídias. Nasceu junto com a RAIA – Red Audiovisual Iberoamericana, uma comunidade interessada em ampliar e qualificar a discussão sobre a influência do audiovisual e os efeitos da indústria de Hollywood em nossa sociedade. E tronou-se uma espécie de videomanifesto da rede, justamente por abrigar as angústias e necessidades de discussão de muitos profissionais ibero-americanos.

Divido em três partes, o documentário contém uma extensa documentação disponível em uma plataforma web agregadora de conteúdos, ctrl-v.net, que revela o processo de criação e evolução da proposta. A ideia é explorar as potencialidades da Internet e suas redes para realizar e difundir conteúdos audiovisuais. O experimento busca colocar à prova todas as possibilidades que as novas tecnologias nos disponibilizam.

Para dialogar com a lógica de construção do ambiente simbólico, de dominação e poder dessas indústrias, utilizamos imagens geradas em Hollywood para enfatizar ou criar contraponto. Acrescentamos a esta pesquisa uma nova safra de documentários independentes que denunciam os sistemas de poder, como é o caso de Zeitgeist e The Corporation, entre muitos outros selecionados em nossa pesquisa filmográfica.

A primeira parte de Ctrl-V trata do nascimento de Hollywood, sua relação com o Estado norte-americano e a formação de um cartel internacional que se apodera dos mercados locais amparado por uma política internacional baseada no intervencionismo simbólico.

A segunda parte trata dos efeitos da indústria dominante sobre as culturas locais e busca alternativas, a partir da formação de um território ibero-americano, de resistência audiovisual, por força de políticas de Estado, de movimentos sociais e de formação de um mercado comum.

Por fim, apresenta a luta da diversidade cultural, que resultou na aprovação da Convenção da UNESCO sobre o assunto, e alerta para os riscos de uma provável ampliação deste cartel ao ambiente web e suas corporações. Os riscos para a democracia, a cultura livre e a diversidade cultural são iminentes. E a questão da Cultura da Convergência, que dá a liga para todos os temas discutidos no documentário e levanta alternativas para a democracia audiovisual.

Ctrl-V, que ora entregamos à sociedade, contou com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento – AECID, do SESC-SP e da TV Cultura, além de inúmeros pesquisadores e profissionais envolvidos com o tema, além da participação ativa da equipe do Divercult e dos membro da RAIA.

Controle ou seja controlado.

Leonardo Brant, diretor